Luiz Fernando Marques explora a fronteira entre cinema e teatro em projeto de circulação do Grupo XIX de teatro

Com uma abordagem ácida e provocativa, o espetáculo desconstroi a moralidade e explora os limites entre realidade e ficção, revelando os dilemas de uma geração perdida.

Seguindo com a circulação dos espetáculos resultantes do Núcleo de Pesquisa de 2024, o Grupo XIX de Teatro apresenta a peça “Um Clássico: Matou a família e foi ao cinema” na Vila Maria Zélia.

Desenvolvido e orientado por Luiz Fernando Marques (o Lubi), a montagem traz a busca por pertencimento e a banalização da violência traçando um retrato ácido de uma geração perdida entre o desejo de se rebelar e a incapacidade de agir. “O que mais me interessa, tanto no teatro quanto no cinema, é a presença do público e como ela pode transformar o que foi previamente concebido”, afirma o diretor.

Elenco de "Um Clássico: Matou a família e foi ao cinema"
Foto: Jonatas Marques

Inspirado em dois filmes marcantes dos anos 60 – Matou a Família e Foi ao Cinema, de Júlio Bressane, que trouxe terror e comédia juntos ao cinema e Um Clássico, Dois em Casa, Nenhum Jogo Fora, de Djalma Limongi, um dos primeiros filmes a abordar uma relação homossexual no cinema brasileiro – o espetáculo brinca com a fronteira entre o que é visto na tela e o que acontece ao vivo. O diretor conta que a pesquisa partiu do desejo de revisitar essas obras dentro de um novo contexto. “Eles foram produzidos no final dos anos 1960, em plena ditadura militar, e nosso objetivo foi confrontar essas narrativas com o nosso olhar em 2024.”

Lubi destaca que o projeto não é apenas uma releitura dos filmes, mas uma experiência cênica inédita. “Misturamos essas referências com a presença do teatro, criando uma nova forma de narrativa”. Ele reforça que apresentar o trabalho faz sentido justamente por ser um espaço para experimentação e troca. “Espero que vivam essa loucura com a gente!”, convida.

Elenco de "Um Clássico: Matou a família e foi ao cinema"
Foto: Jonatas Marques

No palco, dois homens, duas mulheres e um narrador criam um jogo onde passado e presente se confundem, fazendo com o espectador construa sua própria narrativa. Essa história cinematográfica traz um olhar inquietante sobre a apatia contemporânea e o papel do entretenimento na construção de narrativas que anestesiam a realidade. Com uma encenação provocativa, o espetáculo convida o público a refletir sobre os limites entre a ficção e a brutalidade do cotidiano.

O projeto de circulação 4 x XIX, contemplado pela 19º do Prêmio Zé Renato – que visa apoiar a produção e desenvolvimento da atividade teatral para a cidade de São Paulo, vinculado à Secretaria Municipal de Cultura – ainda vai apresentar outras peças decorrente dos Núcleos de Pesquisa do grupo em 2024: Vitaminas (de Rodolfo Amorim) e Quando um dia (de Juliana Sanches), Interruptor: dispositivos pra desligar a corrente (de Ronaldo Serruya) com sessões previstas para maio e junho.

Desde 2005, o grupo realiza oficinas teatrais gratuitas e, por meio de seus núcleos de pesquisa, desenvolve experimentações cênicas inéditas.

Ficha técnica:
Direção e dramaturgia: Luiz Fernando Marques (Lubi). Diretora assistente: Juliana Mesquita. Artistas Colaboradores e Atuantes: Bruna Mascarenhas, Clara Paixão, Carlos Jordão, Lucas Rocha e Walmick de Holanda. Cenografia e Edição de vídeo: Luiz Fernando Marques (Lubi). Figurino, visagismo e direção de arte: Bruna Mascarenhas, Clara Paixão, Carlos Jordão, Juliana Mesquita, Lucas Rocha, Luiz Fernando Marques Lubi e Walmick de Holanda. Técnico de Luz, som e vídeo: Luiz Fernando Marques (Lubi) e Juliana Mesquita Técnico de apoio: Roberto Oliveira. Produção executiva: Andréa Marques.

Projeto foi contemplado pela 19ª Edição do Prêmio Zé Renato.

Secretaria Municipal de Cultura e Economia Criativa.

UM CLÁSSICO: MATOU A FAMÍLIA E FOI AO CINEMA

Elenco de "Um Clássico: Matou a família e foi ao cinema"
Foto: Jonatas Marques

Temporada: De 05 a 13 de Abril
Horário: Sábados e domingos, às 16h e 18h
Local: Rua Mário Costa 13 (Entre as ruas Cachoeira e dos Prazeres) – Belém
Ingressos: Gratuito
Duração: 77 minutos
Classificação: 18 anos
Capacidade: 60

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Tadeu Ramos

Social Media e criador de conteúdo. Compartilho aqui conteúdos culturais, com destaque para a comunidade LGBTQIAPN+

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