Exílio: notas de um mal-estar que não passa reestreia em SP

O espetáculo "Exílio: notas de um mal-estar que não passa" do Coletivo Legítima Defesa explora as obras de Abdias Nascimento e Augusto Boal

Depois de uma temporada de estreia de sucesso no Sesc 14 Bis, o Coletivo Legítima Defesa faz mais cinco apresentações em novembro de Exílio: notas de um mal-estar que não passa. As sessões acontecem em novembro, no Galpão do Folias.

Partindo da ideia de que negritude é construir outros futuros, o trabalho é definido pelo grupo como uma “transcriação da poética” do período de exílio vivido por Abdias Nascimento (1914-2011) e a sua relação com Augusto Boal (1931-2009). Por isso, para a construção dramatúrgica, Eugênio Lima e Claudia Schapira se inspiraram livremente nas peças escritas pelos dois autores, além de utilizarem vários materiais de pesquisa do acervo do TEN – Teatro Experimental do Negro.

Elenco do espetáculo Exílio: notas de um mal-estar que não passa em cena
Foto: Pérola Dutra

“A peça é fundamentada na ideia de que existe uma relação entre o Abdias Nascimento e o Augusto Boal que não foi contada. Nosso principal argumento é que o início do Teatro Experimental do Negro se funde com o começo da carreira dramatúrgica do Boal, já que o primeiro texto que ele escreveu foi para o TEN”, comenta Lima, que também assina a direção de Exílio.

Em Exílio: notas de um mal-estar que não passa, um grupo de atores explora trechos de peças sobre Protagonismo Negro, Drama, Tragédia, Sacrifício e Exílio, mas é bloqueado por um sentimento de impossibilidade. Eugênio descreve: “Nosso espetáculo constitui-se como um sample de textos em que tudo é documento”.

A montagem inclui O Imperador Jones e Todos os Filhos de Deus Têm Asas (Eugene O’Neill), O Logro (Augusto Boal), Sortilégio – Mistério Negro (Abdias Nascimento) e Murro em Ponta de Faca (Augusto Boal). Para Abdias, todo negro fora da África vive um autoexílio. Esse conceito permeia o espetáculo, que usa metalinguagem com a equipe técnica em cena e Eugênio dirigindo como em um ensaio.

No palco existe um grande “tapete da memória”, criado pela projeção, por onde transitam seis performers negres: Walter Balthazar, Luz Ribeiro, Jhonas Araújo, Gilberto Costa, Fernando Lufer e Thaís Peixoto (atriz convidada). Ainda há a participação da atriz Luaa Gabanini (em vídeo). Por convenção, o grupo estabeleceu que quem não estiver no “tapete” está fora de cena, entretanto, como eles nunca abandonam o espaço, os espectadores sempre os veem.

Elenco do espetáculo Exílio: notas de um mal-estar que não passa em cena
Foto: Pérola Dutra

O cenário de Exílio: notas de um mal-estar que não passa inclui projeções de documentos históricos do IPEAFRO e Instituto Boal, com videografia de Bianca Turner e luz de Matheus Brant. No som, o espetáculo traz depoimentos de Léa Garcia, Ruth de Souza e Abdias do Nascimento, além de obras de Frantz Fanon. A trilha explora ritmos variados, com Hip Hop dos anos 1980 e 1990, Philip Glass, Racionais MC’s, tambores de candomblé, Billie Holiday e Marvin Gaye, sob direção musical de Eugênio Lima.

A ação ocorre em um local indefinido, atravessando as décadas de 1940 a 1970. O figurino de Claudia Schapira, com peças chave de cada época, situa os personagens, mantendo os atores sempre em “roupa de ensaio”. A paleta de cores em preto e branco, definida pelo diretor, remete à primeira peça do grupo e reforça o aspecto documental, explica Eugênio.

FICHA TÉCNICA

Direção, direção musical, música e desenho de som: Eugênio Lima
Dramaturgia: Eugênio Lima e Claudia Schapira
Intervenção dramatúrgica: Coletivo Legítima Defesa
Com samplers dramatúrgicos de: Frantz Fanon, Racionais MC’s, Augusto Boal, Abdias Nascimento, Maurinete Lima, Eugene O’Neill, Nelson Rodrigues, Agnaldo Camargo, Ruth de Souza, Léa Garcia, Túlio Custódio, Guilherme Diniz, Gianfrancesco Guarnieri, Molefi Kete Asante e Iná Camargo Costa
Elenco do Legítima Defesa: Walter Balthazar, Luz Ribeiro, Jhonas Araújo, Gilberto Costa, Fernando Lufer e Eugênio Lima
Atrizes convidadas: Thaís Peixoto e Luaa Gabanini (em vídeo)
Produção: Iramaia Gongora Umbabarauma Produções Artísticas
Videografia: Bianca Turner
Iluminação: Matheus Brant
Figurino: Claudia Schapira
Direção de gesto e coreografia: Luaa Gabanini
Assistência de direção: Fernando Lufer
Fotografia: Cristina Maranhão
Design: Sato do Brasil
Consultoria vocal: Roberta Estrela D´Alva
Assessoria de imprensa: Canal Aberto – Márcia Marques, Carol Zeferino e Daniele Valério
Cenotécnico: Wanderley Wagner
Vídeo: Matheus Brant
Engenharia de som: João Souza Neto e Clevinho Souza
Costureira: Cleusa Amaro da Silva Barbosa
Parceiros: Casa do Povo, Ipeafro, Instituto Boal, Editora 34 e Editora Perspectiva

EXÍLIO: NOTAS DE UM MAL-ESTAR QUE NÃO PASSA

Elenco do espetáculo Exílio: notas de um mal-estar que não passa em cena
Foto: Pérola Dutra

Datas: Dias 14, 16 e 17 Novembro
Horário: Quinta, às 21h | Sábado, às 20h e 22h | Domingo, 19h e 21h
Local: R. Ana Cintra, 213 – Campos Elíseos
Ingresso: R$ 30,00 (inteira) | R$ 15,00 (meia) | R$ 10,00 (lista amiga) | Compre aqui
Duração: 90 minutos
Classificação: 16 anos

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Tadeu Ramos

Social Media e criador de conteúdo. Compartilho aqui conteúdos culturais, com destaque para a comunidade LGBTQIAPN+

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